O transporte público em São Paulo, os ônibus, são uma porcaria, o preço é um absurdo, os motoristas dirigem mal, os pontos de ônibus não têm informações sobre os roteiros de cada linha, muito menos há equipamentos que informem quanto tempo falta para cada linha chegar ao ponto, coisa comum em países desenvolvidos. Por isso, quem pode, compra um carro. Ou dois. Ou três. Só depende da quantidade de garagens de que dispuser cada família. Muitos dizem que usariam o transporte público, caso tivesse qualidade. Mas acho que a situação é inversa: enquanto a classe média formadora de opinião, que sabe reclamar, não for obrigada a usar os ônibus, já que não haverá metrô suficiente durante muito tempo, ainda, não haverá nenhuma melhora. Assim, com o objetivo de pelo menos ajudar a fazer as contas, cito, abaixo, os gastos que envolvem a posse de um veículo. Feitas as contas, resta a alternativa de usar os táxis, gerando emprego e renda a esses valorosos profissionais, que não deixam de ser interessantes para uma conversa animada.
Custo da posse de um veículo:
a) o preço do carro;
b) combustível, adulterado ou não;
c) manutenção mecânica;
d) seguro;
e) garagem, se morar em prédio (lembre-se que, mesmo sua, você pode alugá-la, se não usar);
f) estacionamento;
g) IPVA;
h) seguro obrigatório;
i) licenciamento;
j) taxa de inspeção veicular;
k) multas (dependem do motorista);
l) consertos em casos de batidas eventuais;
m) zona azul;
n) lavagem;
o) depreciação do veículo.
Faltou alguma coisa?
sábado, 19 de novembro de 2011
O PROFESSOR DE CONTABILIDADE
Sempre estudei em escola pública. Em 1972/3, nas 7ª e 8ª séries, a oportunidade de ter sido aluna do Professor Renaldo Gardenghi determinou muito do que eu seria a partir daquela experiência. Nessa época, por acaso na época da ditadura, havia um projeto de profissionalização dos estudantes de escolas públicas, fato que me ajudou até a conseguir emprego com mais facilidade, não só por aprender contabilidade, mas também por uma cartinha que ele nos ditou numa aula. Pensando em nos ajudar, quando fôssemos procurar um emprego, ele elaborou, naquele mesmo momento, um texto; mandou-nos pegar uma folha de sulfite e ir copiando. Lá fui eu, tentando caprichar na estética do papel, sem linhas. Ele, enquanto elaborava e ditava a carta, foi percorrendo mesa a mesa e nos observando. Ao final, veio em minha direção, sem vacilar e sem pedir licença, pegou minha carta e foi mostrando para cada aluno como ele esperava que a carta tivesse sido escrita: estética, margens, letra bonitinha, capricho. Enquanto mostrava a carta, ele a chacoalhava e eu fui ficando tensa porque o papel estava ficando amassado! Hoje, não só recordo com detalhes de tudo isso, como sei que o parágrafo final deve ter me ajudado muito. Guardado na memória, tive oportunidade de usá-lo e consegui mais de um emprego com essas palavras. "Tendo boa vontade, aliada a um grande amor ao trabalho, tenho certeza de que, se aproveitada, tornar-me-ei o mais breve possível, depositária da estima e confiança de meus superiores." Quando "fui aproveitada", esforcei-me para provar que não tinha mentido, apesar da frase não ter sido criada por mim. Mas sempre é tempo de apresentar a referência bibliográfica e render-lhe os créditos.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A LATA DE REFRIGERANTE DO DOUGLAS
Foi há mais de 10 anos. Guarujá. O Rafael levara um amigo para o fim de semana na praia: o Douglas, um gordinho bem simpático. Fomos, então, O Rafael, o Douglas, o Victor e eu, por acaso quatro filhos únicos, coisa que nem sequer vem ao caso, andar pela orla da praia. Viciado em refrigerante, o Douglas tratou logo de comprar o seu. Aí, despretensiosamente, já que acabara de tomá-lo, o nosso amigo gordinho não hesitou: jogou a latinha vazia para o alto e para trás. O intrépido alumínio caiu no asfalto, provocando um som instigante. O Rafael, incomodadíssimo com a atitude do amigo que trouxera àquele espaço público, não se conteve: parou, colocou a mão na cintura e resmungou: "Pô, cara. Olha o que você fez NA FRENTE DELA!!!"
Ou seja, para minha total desilusão, o que estava errado era o fato de a lata ter sido jogada na rua na minha presença!!!. De qualquer forma, uns com mais, outros com menos boa vontade, providenciamos um destino adequado para a latinha.
Tenho certeza de que, hoje, nem o Rafael, nem o Douglas, homens feitos a esta altura, jamais repetiriam a cena. Mas, andando pelas ruas, frequentando pontos de ônibus, assistindo reportagens sobre enchentes, não é difícil constatar que pouca coisa mudou na atitude das pessoas quanto ao destino do lixo que cada um produz, em consequência de suas nobres existências!!! Num mundo em que há cada vez mais urgência em sermos todos responsáveis pela quantidade e destino do lixo que produzimos, dando o destino adequado, é triste constatar que ainda se joga qualquer coisa em qualquer canto.
Ou seja, para minha total desilusão, o que estava errado era o fato de a lata ter sido jogada na rua na minha presença!!!. De qualquer forma, uns com mais, outros com menos boa vontade, providenciamos um destino adequado para a latinha.
Tenho certeza de que, hoje, nem o Rafael, nem o Douglas, homens feitos a esta altura, jamais repetiriam a cena. Mas, andando pelas ruas, frequentando pontos de ônibus, assistindo reportagens sobre enchentes, não é difícil constatar que pouca coisa mudou na atitude das pessoas quanto ao destino do lixo que cada um produz, em consequência de suas nobres existências!!! Num mundo em que há cada vez mais urgência em sermos todos responsáveis pela quantidade e destino do lixo que produzimos, dando o destino adequado, é triste constatar que ainda se joga qualquer coisa em qualquer canto.
BRASILEIRO RECLAMA DE QUÊ?
Diferentemente das outras postagens, não elaborei a lista e conclusões, abaixo. Recebi este desabafo, através de e-mail. São listadas várias "pequenas" corrupções e transgressões, que muito contribuem para a desorganização da sociedade. Algumas em consequência da má organização do Estado, outras que não causariam mal maior à sociedade, mas que não deixam de demonstrar que há muita conivência com o não cumprimento das regras, leis e normas, que são feitas justamente para organizar a vida em sociedade. Acredito que valha a pena refletir sobre essas questões. Essa conivência, ou "jeitinho brasileiro" precisa ser reconsiderada.
"O Brasileiro é assim:
- Coloca nome em trabalho que não fez.
- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
- Paga para alguém fazer seus trabalhos.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
- Fala ao celular enquanto dirige.
- Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos
- Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
- Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
- Faz "gato " de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
- Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve. (Vive na base do"achado não é roubado, quem perdeu é relaxado").
E quer que os políticos sejam honestos....
Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!
Espalhe essa idéia!
"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos...."
Colhemos o que plantamos! A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes. "
domingo, 23 de outubro de 2011
O QUE REPRESENTA O IMPOSTÔMETRO?
Nossa imprensa se ocupa, com frequência, de divulgar dados do "Impostômetro" da Fiesp, mostrando seus números, como se representassem algo de relevante importância. A cara dos apresentadores de telejornais, de desconforto, surpresa, com a quantidade de algarismos citadas, é enigmática. Afinal, o que significa dizer o quanto se paga de impostos, em termos nominais? Ou mesmo, o que querem nos informar com os cálculos de quantos dias por ano é necessário trabalhar para pagar impostos? Penso que de trata de perigosa desinformação. Pagar impostos, num estado democrático, em que as pessoas pretendem circular pelas ruas e não viver penduradas em árvores, é imprescindível, necessário, obrigatório, inexorável. Todos querem ter ruas asfaltadas, segurança, redes de água, esgotos, transporte, saúde, educação, tudo fornecido pelo Estado, mesmo com as deficiências evidentes na prestação desses serviços, tal como prestados. O Estado, tal como constituído, não tem como existir sem os recursos provenientes dos impostos, que os cidadãos, que criaram esse Estado, pagam. Não existe alternativa. Quando algum iluminado resolve dizer que a sonegação é uma forma de contestar a qualidade da prestação desses serviços, argumento apresentado à exaustão na mídia, é porque quase ninguém entende a distinção entre Estado e Governo. Questionam-se os impostos pagos ao Estado, sem perceber que o que tem de ser indagado, fiscalizado, cobrado, é o Governo eleito, que gere tão mal esses recursos, considerando as assombrosas somas desviadas na corrupção instalada. O Estado continuará existindo, mas o Governo pode e deveria ser constantemente mudado, vigiado, acompanhado. Ao invés de blasfemar contra a fúria arrecadatória do Estado, por que o indignado cidadão não usa toda essa energia para escolher melhor seus representantes? E, mesmo depois de escolhidos, por que não existe uma vigilância, hoje possível, com dados disponíveis até na própria Internet, do que cada um está fazendo e suas consequências? Com um mínimo de vigilância, não haveria a possibilidade de figuras tão ignorantes, mal intencionadas, sendo reeleitas indefinidamente. Democracia e cidadania dão muito trabalho, mas seu exercício é a única solução para o fim da sonegação e da corrupção, pragas que não deixam as sociedades desiguais saírem dessa condição! O problema é que os jornais não podem "entediar" o espectador, senão os patrocinadores não vão gostar. Com a palavra, o cidadão-espectador!
MADONNA, A CACHORRA
A Madonna foi uma legítima vira-lata, que fez parte da vida de muitas pessoas que trabalharam na Av.Santa Marina e que deixavam seus carros no estacionamento em frente ao INSS. Apareceu, como todo vira-lata abandonado, não se sabe de onde. Era adulta, inteligente e treinadíssima. Aprendeu logo que, se recebesse as pessoas que acabavam de estacionar, podia ganhar carinho. E fez o trabalho com alegria, uma alegria contagiante que só os que nascem para serem felizes e transmitir felicidade, podem fazê-lo tão bem. Para a Madonna, não havia dia de tristeza. Eu é que vivia preocupada de tanto vê-la atravessar a rua movimentada, tanto na atividade de acompanhar as pessoas, quanto apenas para distrair-se indo de mão em mão. Tentei, por muito tempo, conseguir que alguém a adotasse, pois sei que o trânsito, mais dia, menos dia, iria feri-la ou matá-la, não tinha jeito. E mesmo sabendo que a Madonna, na condição de vira-latas sem dono, tinha muito mais, tanto em carinho quanto em comida, que seus semelhantes virinhas abandonados. De qualquer forma, como sempre, não consegui adotante. Pessoas, que poderiam tê-lo feito, preferiram comprar filhotes em pet-shops, como sempre acontece, tirando as poucas oportunidades que conheci de que a Madonna pudesse finalmente ter um lar. Até que, um dia, chegando ao estacionamento, não a vi. A dona desse estabelecimento, supostamente a pseudo-dona (já que a Madonna mantinha seus clientes felizes), disse que a vira andar em direção à Marginal Tietê e nunca mais voltou. Não acreditei na história, pois a Madonna não tinha motivos para nos abandonar, embora não fôssemos tão fiéis quanto ela. Pouco tempo depois, os donos do estacionamento troxeram um rottweiler, que abandonaram no mesmo estacionamento quando deixaram o negócio, o que não demorou muito. Eu gostaria de ter uma foto dela, tão básica, porte médio para grande, pelos curtos de todas as cores misturadas, orelhas grandes e um largo sorriso no rabo!! Que saudade!!
MEU GURGEL
Sim. Eu tive um Gurgel, carro genuinamente nacional, um "combinado" de peças de várias origens, verdadeira colcha de retalhos. Era um jipinho, com motor de fusca 1.6, com carroceria feita de feito de fibra de vidro, um X12TR. Como o comprei para substituir meu fusca, o Bonifácio, que comprei já com 60.000 km e com o qual fiquei 10 anos, planejei ficar com o Gurgel por muito tempo. Achei um pouco estranho, pois tinha rodado uns 500 km, quando o comprei e a loja não explicou o porquê. Fiquei sem saber se tinha comprado um carro zero. Mas ele aprontaria bastante. Bebia gasolina vorazmente. A estabilidade era mínima, considerando os enormes pneus. A "primeira" que ele me aprontou foi complicada: quando fui sair de uma faixa exclusiva de ônibus, delimitada por "tartarugas", na qual eu tinha entrado sem me dar conta. Tentando sair desse espaço imediatamente, foi só passar por cima desses obstáculos e o carro perdeu todos os controles, travou tudo, não consegui brecar e fui girando na avenida em direção a algumas pessoas paradas, esperando no ponto de ônibus. Só não atingi ninguém, porque bati, antes, numa kombi velha que vinha pela pista à minha direita e "segurou" meu carro, ficando toda amassada. Bom prejuízo, mas felizmente nenhuma vítima. A "segunda" foi quanto eu ia buscar o Victor na escolinha e parou todo o trânsito na direção que eu seguia. Como não queria me atrasar na saída da escola, dei meia-volta na rua e fiquei de cara com um caminhão na contra-mão; como o motorista não fazia menção de sair do local, saí do carro para pedir-lhe que me desse caminho e, ao voltar para o ilustre Gurgel, apressada e nervosa, ao brecar, na descida, pisei na embreagem (os pedais eram estranhos, e era necessário dirigir meio "torta" para acertá-los). Bati no caminhão, que ainda não se mexera, o capô do Gurgel levantou, mas não amassou. Paguei o estrago do caminhão. Tempos depois, o capô abriu novamente, só que no meio da rodovia Pres.Dutra, sem prévio aviso, tirando-me toda a visão. Tive de dirigir de cabeça para fora, até alcançar o acostamento. Salvei-me, novamente. Por fim, saindo do trabalho, fui engatar uma marcha e fiquei com o câmbio na mão. Soltou-se. Quebrou. Não quis me arriscar mais. Vendi o carro!! Encheu. Nunca mais comprei carro feito de partes aleatórias! Deve ter sido praga do Fusca. É só ler a postagem do Bonifácio para entender.
sábado, 22 de outubro de 2011
DO ESTAGIÁRIO ESPECIAL
Quando cursei Administração de Empresas, cheguei à conclusão de que deveria me dedicar à área de Recursos Humanos, já que acreditava que seria muito interessante trabalhar na seleção de pessoal. Tenho a pretensão de achar que saberia detectar as potencialidades de candidatos a determinadas vagas. No penúltimo ano da faculdade, tentei conseguir estágio nessa área e fracassei totalmente. Mas consegui emprego na área de Finanças, no que me especializei, e não em RH, e considerei que não teria mais a chance de participar de nenhum processo de seleção, na condição de selecionadora. Mas, em uma única ocasião, aconteceu: trabalhando no Banco do Brasil, fiquei um tempo na área de Pessoal e, apesar dos funcionários serem todos concursados, houve, a partir de 1990, mais ou menos, contratação de estagiários. Por sorte, para mim, chegaram as férias do responsável pela seleção de estagiários e fiquei no lugar dele. Como avaliação aos candidatos,tinha sido elaborado um teste, de forma até bastante inconsistente, um questionário com alternativas de múltipla escolha, que tentava avaliar alguma coisa do avaliado. Rapidamente, fui informada que esse teste havia mesmo sido elaborado às pressas, na falta de algo melhor. Sem também me sentir apta a melhorá-lo, incluí a elaboração de uma redação, para que me sentisse um pouco mais segura na seleção. Foi a experiência pela qual eu aguardara por muito tempo. Quando comecei a ler as redações, a maioria tinha uma qualidade bem ruim, mas, dentre tantas tentativas mal sucedidas de elaborações de frases com significados consistentes, até com o tema sugerido, fui surpreendida por um texto muito bom, que destoava de tudo que tinha lido até então. Selecionei-o imediatamente e chamei o candidato para conversar. Lembro-me de um sujeito franzino, tímido, cuja aparente desenvoltura não sugeria nada do excelente potencial, depois revelado. Contratado por um ano, na qualidade de estagiário, não só ajudou na elaboração de rotinas de equipe de trabalho de um setor recém constituído, como elaborou um manual (muito elogiado por quem o usou) para ser utilizado na execução dos serviços, no setor que deixou um ano depois, quando seu contrato de trabalho terminou. Infelizmente, não sei como prosseguiu sua carreira profissional. Fiquei até achando que eu servia para o trabalho de seleção, considerando essa única oportunidade que tive. Creio que, diante do papel, na elaboração de uma redação, fica muito mais fácil mostrarmos quem somos. O fingimento não tem lugar! Infelizmente, dá trabalho para avaliar; por isso, a maioria das seleções, pensando principalmente em cargos públicos, começa (e até termina) pelos testes em que, não só conta o conhecimento, como a sorte e até a esperteza. Quantos potenciais perdidos e quantos espertalhões contratados!
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O PORTEIRO DA CASA VERDE
Há mais de 30 anos, compramos nosso primeiro apartamento, 38,3 m2, no Conjunto Residencial Casa Verde. Fui uma dureza para dar a entrada, pagar prestações, sem falar nas despesas extras que apareciam o tempo todo para comprometer nosso enxuto orçamento. Um dos custos mais altos foi do portão de ferro de uns 40 metros de extensão e construção de guarita em alvenaria. Dividido por 52 apartamentos, ficou caro. De início, não houve orçamento para colocar um portão automático. Sendo assim, nossos valorosos porteiros eram obrigados a sair da guarita e abrir o portão, sempre que chegava mais um. Até que, anos depois, conseguiu-se juntar a verba para a compra do portão automático, acionado da guarita. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que cheguei em casa e o nosso porteiro, ao me ver, apertou o botãozinho. Quase mágica. Entrei e fui logo comemorar com ele a não necessidade de continuar saindo da guarita. Então, ele abriu o maior sorriso, apesar da terrível ausência de alguns dentes e falou todo satisfeito: "Agora só entra quem nós querer!!" São os pequenos poderes almejados e praticados, sem distinção de classe social.
CAFEZINHO COM ADOÇANTE
Essa historinha aconteceu com o Basílio. Como todos os dias, após o almoço, dirigiu-se ao café do Shopping, com os colegas de trabalho que costumavam almoçar juntos. Compradas as fichas, chegou o café. A funcionária pergunta, então, se desejavam açúcar ou adoçante. Aí, o Basílio resolve fazer uma gracinha com seus colegas de trabalho, que o acompanhavam na degustação dessa saborosa bebida: "eu quero açúcar; para mim, adoçante é coisa de boiola!", sem perceber que, bem ao lado, um outro engravatado pingava gotinhas de adoçante em seu café. Ao ouvir o comentário, pensando no inusitado da situação, o usuário de adoçante parou imediatamente de apertar a bisnaguinha, ficando pensativo acerca da situação em que se encontrava!! Parece que deixou o café menos doce do que pretendia. Perdemos cada chance de não sermos inconvenientes. Mas que foi engraçado, lá isso foi!
TERCEIRIZAÇÃO E DESUMANIZAÇÃO
Quando começei a trabalhar, mais de 35 anos atrás, todos os funcionários das empresas onde estive eram empregados da mesma empresa. Não havia terceirização. A copeira, o vigia, todos nós vivíamos as mesmas condições de trabalho, estabilidade, comprometimento, diferenciados apenas pelos cargos e salários. Até que fui trabalhar num banco público, achando que não poderia haver situação diferente dessa. Um dia, conversando com o Sr.José, que cuidava da limpeza do andar onde eu trabalhava já há um bom tempo, ele disse-me que era funcionário da Empresa "X". Achei estranho e pensei que ele até estivesse brincando. Só depois entendi o processo e fui acompanhando o quanto essa forma de contratação de empresas que "fornecem" mão-de-obra foi se expandindo, criando-se uma legião de pessoas que trabalham sem vínculos reais, sem perspectivas de carreira e, portanto, cada vez mais sem possibilidade de estabelecimento de objetivos de crescimento pessoal. Criam-se "castas" de pessoas, trabalhando no mesmo espaço, diferenciando-se pelos uniformes, pelas cores, muitas vezes pela ausência de conhecimento de seus nomes e sem perspectivas de continuidade do relacionamento interpessoal. Acredito ser um tremendo empobrecimento nas relações de trabalho, em prejuízo das pessoas "terceirizadas", que dividem seus salários com seus pseudo-patrões. Se houver qualquer economia para as empresas que optam pela terceirização ao invés de contratarem diretamente seus funcionários, se considerados os custos humanos envolvidos, ou mesmo sem essa sofisticação, acredito que a economia não valha a pena, por mais que o senso comum vá de encontro à minha percepção!
domingo, 2 de outubro de 2011
AS ÁRVORES DA CIDADE DE SÃO PAULO
Hoje, acordei ao som da motosserra. Novamente. Há pouco mais de 2 anos, a prefeitura da cidade de São Paulo mandou cortar 5 árvores em frente ao meu prédio.Todas supostamente condenadas. Eram lindas, frondosas, muitos passarinhos tinham lá seus ninhos e eu acordava com seu canto.
Até que um dia uma árvore decidiu cair no meio da madrugada, atingindo um carro. Sem nenhum ferido. Carros são fabricados não sei quantos por minuto. Aquelas árvores tinham pelo menos 30 anos de existência. Inconformada, fui atrás da sub-prefeitura, consultei legislações a respeito, mendiguei por dados que os engenheiros responsáveis teriam, mas não consegui acesso a nenhum laudo que comprovasse que as 5 árvores estivessem realmente condenadas. O atendimento telefônico foi péssimo, um passava para o outro. Por e-mail, tentei tudo que encontrei, sem nenhum retorno. Só um engenheiro disse que me "mostraria" os laudos, se me encontrasse pessoalmente, e a título de "favor". Ora, uma cidadã que tem todo seu horizonte alterado, pelo corte de tantas árvores, precisa pedir favor para saber o que realmente ocorria com as pobres árvores? Recusei a gentileza!
Por falta de opção, comecei a cobrar o replantio dessas árvores. Após mais de 2 anos, seguidas cobranças da sub-prefeitura, que levaram, dada a minha insistência e persistência, a duas tentativas de replantio, muitos dias levando água para as mudas, algumas vandalizações feitas por sei lá quem, hoje apenas três delas mostram sinais de que um dia crescerão, caso mais ninguém as destrua, algo bastante difícil de acontecer, considerando sua fragilidade.
Desde então, passei a observar o resto da cidade por onde circulo. Percebi que as árvores da cidade lutam sozinhas, contra tudo, para sobreviver: estão deformadas por podas mal feitas, têm suas raízes sufocadas, cimentadas até o caule, tentam levantar esse cimento para respirar, receber a água da chuva, são podadas sem critério, basta incomodarem algo ou alguém, são as últimas na lista de prioridade, apesar de responsáveis pelo ar que respiramos e pela temperatura cada vez mais alta nesta cidade. E como há poucos lugares nas calçadas para as árvores! Sempre há guias rebaixadas. Parece que elas sempre incomodam!
Quando são arrancadas, qualquer que seja o motivo, não há replantio. Aqueles buracos onde estavam, no máximo, viram "jardineiras". Se, por um milagre, forem replantadas, as mudas fracas, de baixa qualidade, sem rega nos períodos de seca, morrem sem qualquer chance. Onde quer que estiverem, nenhum cidadão se sente responsável por elas. Essas mudas ficam totalmente abandonadas, salvo raríssimas exceções. Resumindo: São Paulo, que está longe de ter o mínimo de verde para combater a poluição e a temperatura em constante elevação, está sem qualquer chance de sair dessa condição. A população não se importa, não se sente responsável, a prática da cidadania não existe, a prefeitura pouco ou nada faz, as empresas terceirizadas que fazem algum suposto replantio nunca voltam para ver o que aconteceu com os gravetos que plantou, só há discursos e nenhuma prática. Provavelmente, os gravetos secos um dia plantados, que nunca se tornarão um ser vivo, contam para as estatísticas como mais uma árvore plantada na cidade! Para não dizer da falsa comoção quando uma árvore doente, não resistindo a tantos maus tratos, cai e provoca um acidente. Aí os cidadãos se manifestam, dizendo que a prefeitura a devia ter cortado antes. Por que não tirar os carros da cidade, então, estes sim causando um zilhão de acidentes fatais? Infelizmente, estou certa de que o pouco que resta de mancha verde nas ruas rapidamente desaparecerá. Salvo se pelo menos quem concordar comigo, passe a fiscalizar, cobrar, regar, enfim, prestar atenção no que vem ocorrendo. Já é quase tarde demais para se pensar nisso.
Até que um dia uma árvore decidiu cair no meio da madrugada, atingindo um carro. Sem nenhum ferido. Carros são fabricados não sei quantos por minuto. Aquelas árvores tinham pelo menos 30 anos de existência. Inconformada, fui atrás da sub-prefeitura, consultei legislações a respeito, mendiguei por dados que os engenheiros responsáveis teriam, mas não consegui acesso a nenhum laudo que comprovasse que as 5 árvores estivessem realmente condenadas. O atendimento telefônico foi péssimo, um passava para o outro. Por e-mail, tentei tudo que encontrei, sem nenhum retorno. Só um engenheiro disse que me "mostraria" os laudos, se me encontrasse pessoalmente, e a título de "favor". Ora, uma cidadã que tem todo seu horizonte alterado, pelo corte de tantas árvores, precisa pedir favor para saber o que realmente ocorria com as pobres árvores? Recusei a gentileza!
Por falta de opção, comecei a cobrar o replantio dessas árvores. Após mais de 2 anos, seguidas cobranças da sub-prefeitura, que levaram, dada a minha insistência e persistência, a duas tentativas de replantio, muitos dias levando água para as mudas, algumas vandalizações feitas por sei lá quem, hoje apenas três delas mostram sinais de que um dia crescerão, caso mais ninguém as destrua, algo bastante difícil de acontecer, considerando sua fragilidade.
Desde então, passei a observar o resto da cidade por onde circulo. Percebi que as árvores da cidade lutam sozinhas, contra tudo, para sobreviver: estão deformadas por podas mal feitas, têm suas raízes sufocadas, cimentadas até o caule, tentam levantar esse cimento para respirar, receber a água da chuva, são podadas sem critério, basta incomodarem algo ou alguém, são as últimas na lista de prioridade, apesar de responsáveis pelo ar que respiramos e pela temperatura cada vez mais alta nesta cidade. E como há poucos lugares nas calçadas para as árvores! Sempre há guias rebaixadas. Parece que elas sempre incomodam!
Quando são arrancadas, qualquer que seja o motivo, não há replantio. Aqueles buracos onde estavam, no máximo, viram "jardineiras". Se, por um milagre, forem replantadas, as mudas fracas, de baixa qualidade, sem rega nos períodos de seca, morrem sem qualquer chance. Onde quer que estiverem, nenhum cidadão se sente responsável por elas. Essas mudas ficam totalmente abandonadas, salvo raríssimas exceções. Resumindo: São Paulo, que está longe de ter o mínimo de verde para combater a poluição e a temperatura em constante elevação, está sem qualquer chance de sair dessa condição. A população não se importa, não se sente responsável, a prática da cidadania não existe, a prefeitura pouco ou nada faz, as empresas terceirizadas que fazem algum suposto replantio nunca voltam para ver o que aconteceu com os gravetos que plantou, só há discursos e nenhuma prática. Provavelmente, os gravetos secos um dia plantados, que nunca se tornarão um ser vivo, contam para as estatísticas como mais uma árvore plantada na cidade! Para não dizer da falsa comoção quando uma árvore doente, não resistindo a tantos maus tratos, cai e provoca um acidente. Aí os cidadãos se manifestam, dizendo que a prefeitura a devia ter cortado antes. Por que não tirar os carros da cidade, então, estes sim causando um zilhão de acidentes fatais? Infelizmente, estou certa de que o pouco que resta de mancha verde nas ruas rapidamente desaparecerá. Salvo se pelo menos quem concordar comigo, passe a fiscalizar, cobrar, regar, enfim, prestar atenção no que vem ocorrendo. Já é quase tarde demais para se pensar nisso.
domingo, 25 de setembro de 2011
PASSARINHO NA PRISÃO, SEM ADVOGADO
Já que pássaros presos em gaiolas não têm como contratar advogados, este blog gostaria de tentar interceder por eles. Recentemente, numa cidade do interior paulista, os moradores passaram a perceber que não viam mais pássaros em árvores, não ouviam mais seu canto na liberdade. Algum iluminado, então, constatou que a maioria absoluta desses animais, que têm o privilégio de saber voar, encontravam-se presos em gaiolas, sem terem cometido crime algum. A população foi, então, mobilizada para libertá-los e o fizeram. Os pássaros voltaram ao seu habitat, nas árvores, utilizando suas asas para voar, trazendo seu canto de volta às ruas da cidade. Além de comerem insetos, cuja proliferação desenfreada tem muito a ver com o aprisionamento de seus predadores naturais. Assim, todos ganharam com isso.
Se você, leitor deste blog, tem dúvidas se o passarinho da gaiola aí ao lado quer permanecer mesmo na sua companhia, faça o teste: abra a gaiola! Se ele ficar, cuide bem dele, mande fazer uma gaiola pelo menos 20 vezes maior que essa jaulinha. Senão, deixe-os cantar de alegria, livres, ao invés do canto de lamento do bichinho privado de liberdade.
Pássaros, diferente de cães e gatos, não querem sua companhia. Se você abandonar seu cão ou eu gato, ele chorará à sua porta, implorando para entrar. Se você recolher um cão ou gato abandonado, ele não o abandonará mais. O pássaro dificilmente o quererá!
Se você, leitor deste blog, tem dúvidas se o passarinho da gaiola aí ao lado quer permanecer mesmo na sua companhia, faça o teste: abra a gaiola! Se ele ficar, cuide bem dele, mande fazer uma gaiola pelo menos 20 vezes maior que essa jaulinha. Senão, deixe-os cantar de alegria, livres, ao invés do canto de lamento do bichinho privado de liberdade.
Pássaros, diferente de cães e gatos, não querem sua companhia. Se você abandonar seu cão ou eu gato, ele chorará à sua porta, implorando para entrar. Se você recolher um cão ou gato abandonado, ele não o abandonará mais. O pássaro dificilmente o quererá!
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
CONDOMÍNIOS, FOSSOS E CASTELOS
Embora entenda que a verticalização imobiliária não seja um mal a ser combatido, dado o número de habitantes nas grandes cidades e a necessidade de se gastar menos tempo com deslocamentos, além da melhor utilização dos equipamentos públicos, acho complicado perceber que há tão poucas pessoas circulando nas ruas, justamente nos bairros verticalizados. Opto sempre por andar a pé e percebo que, lamentavelmente, são muito poucos os moradores do bairro que o fazem. Vejo filas de carros defronte às escolas, padarias com suas vagas lotadas, além da disputa acirrada por um local para estacionar nas ruas.
Por isso, quando vejo o que é oferecido no mercado imobiliário, como uma grande vantagem na compra de um apartamento, como 53 itens de lazer (piscina, sauna, quadras, vestiário para diaristas, ...), acho que isso não pode ser algo tão bom para o exercício da cidadania, para a vida dentro das cidades. Se os cidadãos não ocuparem as ruas, quem o fará?
Estamos, assim, criando condomínios tão autônomos, aliados aos sistemas de segurança rigorosamente planejados, que estamos conseguindo voltar às cidades muradas da Idade Média. A rua, espaço público, tendem ao abandono e à marginalidade. Dificilmente vejo crianças andando pelas ruas em bairros classe média. Será que elas saberão que a calçada da rua é para caminhar? Ou pensarão que só se pode passar pelo portão que protege seu castelo para seguir, em segurança, de carro, à escola, ao Shopping?
Por isso, quando vejo o que é oferecido no mercado imobiliário, como uma grande vantagem na compra de um apartamento, como 53 itens de lazer (piscina, sauna, quadras, vestiário para diaristas, ...), acho que isso não pode ser algo tão bom para o exercício da cidadania, para a vida dentro das cidades. Se os cidadãos não ocuparem as ruas, quem o fará?
Estamos, assim, criando condomínios tão autônomos, aliados aos sistemas de segurança rigorosamente planejados, que estamos conseguindo voltar às cidades muradas da Idade Média. A rua, espaço público, tendem ao abandono e à marginalidade. Dificilmente vejo crianças andando pelas ruas em bairros classe média. Será que elas saberão que a calçada da rua é para caminhar? Ou pensarão que só se pode passar pelo portão que protege seu castelo para seguir, em segurança, de carro, à escola, ao Shopping?
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
BONIFÁCIO, O FUSCA
Nestes inglórios tempos de bombardeamento da publicidade, para que nos tornemos aspirantes ao novo estúpido modelo de carro, até para tentar compensar nossas frustrações, lembrei-me do meu Fusca 1976, vermelho, modelo Luxo ("L"). Até hoje, ele é homenageado com o uso de sua placa como senha, daquelas que temos de ter um monte. Felizmente, só a minha memória a registra. Depois de muita economia, consegui comprar o Bonifácio. Não era tão novinho. Em 1980, data no nosso "encontro", já tinha rodado um 60.000 km. Foi enigmático quando fui buscá-lo da vendedora e ela, com lágrimas nos olhos, pediu-me para cuidar bem dele. Prometi e cumpri. Levei-o ao mecânico uma vez por ano, quando ele saía todo "firminho", antes dos parafusos começarem a relaxar, na buraqueira de S.Paulo. Vermelhinho, ficava lindo quando levava uma polida. Valente, como se espera de todos os fuscas, levou-me aos lugares na cidade e a todos os acampamentos que fizemos nos 10 anos de nosso convívio. Já imaginaram 4 adultos, uma barraca grande e todo o necessário, inclusive comida, para sobreviver em feriados prolongados, dentro de um fusca? Ninguém conseguia fazer caber, mas ganhei a alcunha de "gerente de ajeitística", tamanha a boa vontade do Bonifácio comigo. Só descobri que o carro tinha fusível, quando o primeiro queimou, 5 anos depois do início do nosso convívio. Nunca fiz seguro, nem precisou. Quando, finalmente, achei que estava na hora de substituí-lo, porque o achava já meio fraquinho, anunciei, vendi para um babaca, que conseguiu, em um mês, batendo-o, ter perda total! Vai ver que o Bonifácio não se conformou. Ainda por cima, o dinheiro que recebi por ele foi confiscado pelo Plano Collor! Bem que o Victor, então com 2 anos e meio, reclamava: "Quem teve a idéia de vender o Fusca, hein, hein?
A TRANQUILIDADE DO INVESTIDOR
GAROTO PROPAGANDA DO GIRAFFAS
Para quem pensa que o personagem de Jack Nicholson, em "Melhor é Impossível", que comia todos os dias no mesmo restaurante, na mesma mesa, a mesma refeição, servida pela Helen Hunt, saiba que há uma versão tropicalizada da mesma situação excêntrica: meu pai! Esse senhor almoça, de segunda a segunda-feira, no mesmo restaurante Giraffas, o mesmo prato: uma saborosa miscelânea de "chelsti" (sic) - aquele frango transgênico - com molho de tomate, arroz, feijão e "pirê"; sempre no mesmo horário, frequentemente, assim, atendido pela mesma pessoa que, frequentemente também, decora o número do meu CPF. Isso acontece há dez anos, primeiro numa loja da referida rede, que, quando foi transformada em local de treinamento, para desespero do ilustre cliente, causou ao referido cidadão uma anemia, já que deixou de almoçar por um bom tempo. Superada essa fase, adaptou-se a outro estabelecimento, com a mesma rotina do anterior. Hoje, tomei conhecimento que outro período gastronômico negro se aproxima, à medida em que a loja atualmente frequentada passará por reforma. Estamos, o Victor e eu, imbuídos do melhor espírito de solidariedade, procurando por um estabelecimento substituto, óbvio, da mesma rede. Oxalá encontremos um que atenda às especificações do cliente!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
ESPÍRITO DE CARDUME, PENSANDO COMO PEIXES
Finais de semana, feriados, em todas as praças de alimentação de qualquer Shopping Center. Bandeja na mão, mesa não reservada, saio procurando por um local para degustar meu almoço antes que esfrie. Abraçados às mesas recém conquistadas, usuários daquele espaço consideram-se legítimos proprietários, até que ele, dono daquela peça do mobiliário, não a queira mais. Só que, para que o desimpedimento finalmente ocorra, cada usuário daquela mesa irá procurar onde comer, escolher o prato, aguardar sua elaboração e recebimento, sua degustação final e, depois de arrastar a conversa até não poder mais, mesmo verificando a existência que há pessoas cobiçando o local, aguardando a sua vez de serem protagonistas da mesma cena! Diferente do que seria o raciocínio do peixe, será que é tão complicado pensar que, se ninguém guardar lugar, todos terão onde sentar, já que, na média, sem pensar muito, gasta-se o triplo do tempo de posse necessário, em relação ao tempo de utilização realmente necessário daquela mesa, que é para todos? Sem falar nos super-ultra-hiper-egoístas, que ainda deixam a bandeja e um monte de sujeita no recém-usado equipamento de uso coletivo, a mesa! Minha sugestão: ao deixar uma mesa, depois de usá-la, espere que chegue alguém com uma bandeja na mão, na mesma situação em que eu me encontrava no início deste desabafo, e a entregue a esse cidadão necessitado de sua colaboração!
domingo, 4 de setembro de 2011
FUI ATROPELADA
Felizmente, foi há muito tempo e, felizmente, não aconteceu nada. Mas fiquei sem grandes explicações sobre o que realmente ocorreu. Foi em 1978 ou 79. Não importa. Faz muito tempo! Eu morava numa travessa da avenida principal do bairro, a uns 100 metros, um pouco mais, de distância do ponto de ônibus.
Desci, então, do transporte público e precisava atravessar a avenida para ir para casa. Nesse trecho da avenida, muito estreito e próximo de uma curva fechada, há apenas duas faixas, uma em cada direção. Portanto, não há espaço nem possibilidade segura de ultrapassagem, em nenhuma das direções.
Passei, então, pelos carros parados numa das direções e concentrei-me em verificar se algum carro vinha no sentido contrário, até devido à curva que tira muito da visibilidade.
Nesse momento, ouvi um ruído ensurdecedor de uma brecada e senti que deitara suavemente no asfalto, que achei muito macio. Minha mãe, que assistia TV na sala de casa, ouviu o barulho e levantou-se angustiada, conforme me contou depois e se lembra até hoje.
Não tive nenhum ferimento, nenhuma dor, simplesmente levantei-me, acalmei o motorista que acabara de brecar o carro, tremendo muito e certamente lamentando a idéia de ter tentado ultrapassar uma fila enorme de carros parados, indo pela contramão. Era um táxi fusquinha.
Desci, então, do transporte público e precisava atravessar a avenida para ir para casa. Nesse trecho da avenida, muito estreito e próximo de uma curva fechada, há apenas duas faixas, uma em cada direção. Portanto, não há espaço nem possibilidade segura de ultrapassagem, em nenhuma das direções.
Passei, então, pelos carros parados numa das direções e concentrei-me em verificar se algum carro vinha no sentido contrário, até devido à curva que tira muito da visibilidade.
Nesse momento, ouvi um ruído ensurdecedor de uma brecada e senti que deitara suavemente no asfalto, que achei muito macio. Minha mãe, que assistia TV na sala de casa, ouviu o barulho e levantou-se angustiada, conforme me contou depois e se lembra até hoje.
Não tive nenhum ferimento, nenhuma dor, simplesmente levantei-me, acalmei o motorista que acabara de brecar o carro, tremendo muito e certamente lamentando a idéia de ter tentado ultrapassar uma fila enorme de carros parados, indo pela contramão. Era um táxi fusquinha.
sábado, 3 de setembro de 2011
MINHAS DESCONFIANÇAS
Quem me conhece, sabe que não tenho nenhum tipo de fé, na forma que é consenso devamos tê-la, para acreditar na vida, para ter esperança, ... Do ponto de vista espiritual, se é para me definir de alguma forma, considero-me uma agnóstica muito confusa. Respeito todas as formas e práticas de religiões, crenças, que tornarem as pessoas felizes e "ativamente boas"! Mas, como confessou a escritora Raquel de Queiroz, já octagenária, tendo vivido a vida toda num lugar beato como o interior nordestino, dizendo que gostaria muito de crer, de ter uma fé, que seria tudo mais fácil. Mas, como tinha que ser honesta, respondeu ao entrevistador não crer em nada. A mesma declaração fez o FHC perder a prefeitura de S.Paulo. Ou seja, não é assunto fácil.
Mas, mesmo ser ter uma fé ortodoxa, tenho grandes desconfianças se somos apenas meros sacos de batatas. Há pessoas de uma generosidade tão grande, que ajudam, acolhem, cuidam de outros seres, que lutam tão desesperadamente para salvar vidas, independente de quais, com tanto despreendimento, sem nenhum proveito próprio, que sua atitude não pode ser considerada humana, de tão pouco comum que é agir dessa forma. Portadoras de fé ou não, as pessoas são muito egoístas! Desconfio, assim, que alguma coisa há de haver por trás da generosidade tão inexplicável de alguns humanos.
Mas, mesmo ser ter uma fé ortodoxa, tenho grandes desconfianças se somos apenas meros sacos de batatas. Há pessoas de uma generosidade tão grande, que ajudam, acolhem, cuidam de outros seres, que lutam tão desesperadamente para salvar vidas, independente de quais, com tanto despreendimento, sem nenhum proveito próprio, que sua atitude não pode ser considerada humana, de tão pouco comum que é agir dessa forma. Portadoras de fé ou não, as pessoas são muito egoístas! Desconfio, assim, que alguma coisa há de haver por trás da generosidade tão inexplicável de alguns humanos.
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