quarta-feira, 26 de novembro de 2014
E O TÁXI PAROU .....
Quem era o motorista? Uma figura ímpar, carismática, tanto indo por estranhos caminhos, como ser malufista de carteirinha, quanto por defender crianças e animais quando essa posição era bem pouco frequente. Nunca deixou que seres desprotegidos sofressem qualquer tipo de violência em sua presença. Foi "fiscal da UIPA" (União Internacional Protetora dos Animais) quando pouco se pensava no sofrimento dos cavalos que puxavam carroças pela cidade de São Paulo: parava os carroceiros, conversava com eles, tirava-lhes o chicote, às vezes os arreios, para forçá-los a ir buscar na UIPA, onde recebiam um "sermão" antes de receberem os instrumentos de tortura de volta, se é que os recebiam. Meu herói. Meu pai. Muito antes da Internet, fez sozinho o que ninguém consegue imaginar. Quando temos compaixão pelos animais, sentimo-nos sozinhos, pois esse sentimento incomoda, é afrontador, questiona, tira outros humanos da zona de conforto, intimida e provoca reações de ódio. Ódio pela compaixão.
Meu herói, ao final da vida, já com uma anemia persistente que lhe tirava as forças, concluiu que não queria mais comer carne, seu alimento preferido por toda a vida, quando ainda não percebia o que teve a chance de ver, nos últimos dias de sua jornada, quando disse: "é errado comer os animais" disse ele na última semana de vida. Nunca imaginei, mas ele teve a coragem de assumir essa posição. Foi coerente ao fim, ao cabo.
E viveu o suficiente para ver seu amado Coríntians campeão do mundo. Viveu para ver o Palmeiras ser rebaixado. Viveu para conhecer o "Gambazão" num jogo da copa do mundo de 2014. Mal conseguia andar devido à anemia, mas fez um esforço enorme para chegar ao estádio.
Gostava de tomar leite com groselha de colherzinha, fazendo barulho ao sorver cada gole! Falava mal dos motoristas que não tinham a chapa do carro de S.Paulo. Quem vinha de São Bernardo tinha vindo do "meio do mato". Andava sempre com as calças caindo. Nascera na Avenida São João, mais paulistano impossível, mas trocava os eles por erres sem a menor cerimônia: as "carças", o "vardemá", no melhor estilo Adoniram ...
E seu anjo da guarda workaholic japonês, depois de salvá-lo de tombos, da convulsão que teve dirigindo o táxi, com passageiro e tudo, quando um rapaz viu a situação, entrou no carro e dirigiu até o hospital onde ele foi salvo, que cuidou para que nada acontecesse quando ele foi assaltado, que estava firme quando ele teve um princípio de AVC e foi socorrido por um providencial carro de polícia que passava exatamente quando ele desabou na rua, que sempre esteve firme a cada situação de perigo, também foi tão bondoso ao não deixá-lo saber que a Dilma ganhou no segundo turno das eleições: meu herói ficou inconsciente antes do resultado final!! Não teve que engolir a quarta vitória do PT! Foi em paz, partiu tranquilo. Ao ser velado, estava com o semblante calmo, sendo acarinhado pelas crianças presentes, como se soubesse que estavam ali, crianças que ele amou com paixão pela vida toda. Partiu em paz, deixou uma lição de amor aos que não podem se defender.
sábado, 2 de junho de 2012
UMA MENTIRA COM GRAVES CONSEQUÊNCIAS
Informações erradas podem levar a políticas erradas. E, neste caso, com gravíssimas consequências. Cansei de escutar no noticiário da TV que os custos trabalhistas são altíssimos no Brasil, beirando os 100% do valor do salário pago. Baseando-se nessa cifra, empregadores deixam de registrar seus empregados. Mas, depois de passar mais de 20 anos de minha vida profissional analisando folhas de pagamento, posso garantir que esse percentual é muito inferior e, o que muitos declaram como "custo trabalhista" são direitos que acho meio estranho tirar dos trabalhadores nesta fase de desenvolvimento da sociedade. Somando-se a contribuição patronal para a previdência ao fundo de garantia por tempo de serviço, o percentual é de, no máximo, 37% sobre o salário pago ao empregado. O restante dos custos corresponde às férias (com um terço de remuneração adicional) e décimo terceiro salário. Se alguém quiser chamar isso de custo trabalhista, corresponde a mais 20% do salário. Vale dizer que as empresas consideradas pequenas não pagam a contribuição patronal à previdência, o que reduz os tais encargos apenas às férias e ao décimo terceiro. Lógico que algumas empresas podem oferecer muitas outras vantagens ao empregado, em substituição ao pagamento de um salário mais alto. No entanto, não é o que acontece com a maioria dos empregadores, que estão sujeitos a um custo adicional de, no máximo, 40% da folha de pagamento. Mas, como essa informação dos tais 100% é repetida na mídia à exaustão, continuamos com índices alarmantes de mão-de-obra não regularizada nos termos da lei e um exército de cidadãos sem os direitos mínimos nas relações de trabalho. Ou seja, cidadãos de segunda classe. Até quando a mentira vai perdurar????
domingo, 6 de maio de 2012
RAZÕES PARA SE ADOTAR UM CÃO ADULTO
Alguns aspectos a serem lembrados, para quem pensa em ter um companheiro de 4 patas. Nem quero me lembrar que ainda há pessoas que compram animais. Mas, se estiver em dúvida sobre adotar um animal filhote ou adulto, sendo que os adultos são os mais encalhados nos abrigos, sugiro que considere as seguintes questões:
- Cães
adultos dificilmente choram à noite nos primeiros tempos em sua nova casa, como fazem
os filhotes, com saudades da mãe e dos irmãozinhos da ninhada.
- Quem
adota um cão adulto já sabe ao certo o tamanho exato deste animal. Muitos filhotes crescem mais
do que o esperado o que pode vir a ser, muitas vezes, um transtorno para
seus donos.
- Cães
adultos estão mais preparados para passar parte do tempo sozinhos em casa, sendo os companheiros ideais
para aquelas pessoas ficam ausentes de casa durante o dia todo. Os
filhotes geralmente sofrem muito mais com a solidão.
- Cães
adultos são resistentes à maioria das doenças que podem matar na fase de
filhote.
Infelizmente, quando se adota um filhotinho, este pode sim vir a falecer por
causa de doenças como a cinomose, por exemplo, fazendo com que seu novo
dono sofra muito com sua perda prematura. O mesmo dificilmente ocorre no
caso de cães adultos.
- Cães
adultos já sabem como se comportar. Já aprenderam a fazer xixi no lugar certo e a
comer sem fazer estripulia, não exigindo assim de seu dono o tempo, a
atenção e a paciência necessários para ensinar um filhote a se comportar.
Só quem já teve um filhote em casa sabe quanto xixi e cocô se tem que
limpar até que este aprenda onde fazer suas necessidades!
- Cães
adultos no geral não fazem as estripulias típicas dos cães filhotes. São mais calmos. Dificilmente
saem pela casa destruindo sofás, roendo pés de cadeiras, ou pegando e
rasgando todas as roupas e sapatos que vêem pela frente.
- Um
cão adulto, por ser mais ágil e resistente, pode ser o companheiro ideal
para crianças.
Crianças pequenas demais também podem acabar machucando cães filhotes por
não saberem ao certo como carregá-los, alimentá-los, etc., o mesmo já não
acontece no convívio entre cães adultos e criancinhas.
- Ao
se adotar um animal adulto, já se tem noção de sua personalidade, sendo mais fácil escolher
aquele que melhor vai se encaixar nas expectativas e na rotina de vida de
seu novo dono. Nos canis, os protetores sabem quais são os animais mais
dóceis, tranqüilos, os que se dão bem com crianças, aqueles que se dão
melhor com outros animais, os que são mais agressivos, etc., passando
estas informações de antemão para os interessados na adoção dos animais.
Já com um filhote, não se sabe ao certo como será moldada sua
personalidade.
- Cães
adultos devem ser adotados já castrados, evitando assim que seu novo dono sofra com a
ocorrência de crias indesejadas; também evitando que seu dono tenha que se
preocupar com o período certo para se fazer a castração e com os cuidados
pós-operatórios, necessários no caso das fêmeas.
- Por terem sido abandonados e por terem sofrido muito nas ruas, os cães adultos adotados geralmente são muito gratos a quem os acolhe e dá amor, desenvolvendo laços muito fortes de amizade e carinho com seus donos, o que muitas vezes não acontece no caso de cães criados desde filhotes com seus donos.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
DOS COMANDOS BINÁRIOS AO BLOG
Iniciei-me nos estudos da informática há 35 anos, quando entrei na faculdade. Na época, aprendíamos linguagem binária, em que as duas alternativas eram o aceso e o apagado, o ligado e o desligado. Tínhamos de aprender a raciocinar da forma mais básica e primitiva possível, criando programas em que explicávamos detalhadamente, ao computador, o que ele deveria fazer. Apesar de ser algo extremamente demorado e cansativo, proporcionou a quem teve esse tipo de experiência a possibilidade de exercitar alguns neurônios não requisitados até então. Ao montar um programa, como os computadores possuíam pouco espaço, era necessário optar entre utilizar mais memória ou mais passos de programa, já que eram limitadíssimos. A evolução, desde então, foi assustadora, com incontáveis vantagens para a execução de qualquer tipo de atividade. Acredito que estamos vivendo uma nova era, desde o advento da informática e da Internet. Talvez seja uma revolução inédita na sua forma e possibilidades abertas. Sinto-me uma privilegiada por estar vivendo essa "passagem" ,tendo tido a oportunidade de acompanhar cada passo dessa revolução, pois há tantos contemporâneos meus que não têm acesso ou, pior, não têm interesse em fazer parte dessa revolução, continuando a viver como se nada tivesse acontecido. Quem lê este blog consegue me explicar como foi possível viver tanto tempo sem computador e Internet????
ESPORTE E SAÚDE, FÍSICA E MENTAL
Praticar esportes é uma excelente forma de manter a saúde. Não há como contestar. Com maior ou menor frequência e intensidade, o corpo humano precisa de atividade. Caminhar, nadar, correr, pedalar ou mesmo competir trazem inegável sensação de bem estar. No entanto, não é essa experiência que domina as mentes e intenções das pessoas que utilizam seu tempo no assunto "esporte". Há, sim, um fanatismo no que se refere aos times de futebol, que domina a quase totalidade dos espaços, quando o assunto é "esporte". Minha visão é de que as disputas entre adversários, sejam times, cidades, países, ou que for que estiver em jogo, é uma alternativa às "guerras", na prática de real beligerância, com toda a descarga de adrenalina correspondente. Se, por um lado, há um desgaste absurdo dos atletas profissionais, que vai muito mais na contra-mão da manutenção de sua saúde, as brigas entre as torcidas levam a tudo, menos ao estímulo à solidariedade, tolerância, responsabilidade, que devem ou deveriam praticar os atletas em campo. Realmente, quando praticados por grupos que necessitam do estímulo a esses valores sociais, não há como negar o valioso serviço à sociedade que a prática de esportes proporciona. Mas, quando se vê o tempo e energia despendidos pelos expectadores nos momentos de disputa, seja do seu time, do seu país, acredito que haja uma supervalorização, principalmente do público masculino, da "especialização" no que se refere ao acompanhamento do que acontece nesse "mundo". Quantos "fanáticos" por esporte cultivam suas grandes barrigas, bebendo cerveja e fumando, ao som dos intermináveis "gooooooooooool" dos "melhores momentos" do esporte? É óbvio que é muito mais interessante assistir a qualquer partida de futebol do que perder tempo assistindo novelas ou praticamente qualquer coisa que apareça na TV aberta no Brasil. E não há como negar que as discussões em torno de esportes sejam um fator valioso na socialização entre as pessoas. Só seria bom se restassem tempo, energia, interesse, do público masculino ou feminino, para dedicação a questões muito relevantes num mundo cheio de informações, como nunca houve neste planeta, que precisam de muito mais atenção, cuidado e atitude. A alienação é muito confortável, mas, se praticada em excesso, coloca em risco o bem-estar coletivo!!!
segunda-feira, 23 de abril de 2012
UM BOM PROBLEMA
Já ouvi alguém dizer que ainda é melhor morar numa Europa em crise do que num Brasil em processo de notável desenvolvimento. Eu também acho. Mas, mesmo que permaneçam na nossa pátria a escandalosa miséria, os baixos padrões educacionais, a corrupção, a usurpação do Estado para fins particulares, o clientelismo, ..., graças a um tosco mas real crescimento da economia, a classe média começa, finalmente, a perceber que talvez a escravidão comece a dar sinais de esgotamento. Refiro-me ao crescente custo do serviços domésticos, "lamentado" pelos representantes da mídia, ao darem esse tipo de notícia, que entra, finalmente, em discussão. Ora, vale lembrar que o serviço doméstico só faz parte do nosso cotidiano de país progressista, em troco de um salário aviltante como sempre foi, porque pouco mais de uma centena de anos nos separa do fim oficial da escravidão. Mas, seja como for, graças ao crescimento da economia, a classe média que se recusa a cuidar de si mesma, na realização de serviços domésticos, tem de despender cada vez mais numerário para manter suas mordomias na contratação de exércitos de serviçais. Estamos, assim, diante de um bom problema, que não tem nada a ser lamentado, pelo menos por quem acha que a sociedade deva caminhar para ser cada vez mais justa e igualitária. De quebra, com o aumento do consumo de eletrodomésticos, pois no fim das contas é bom por as máquinas e não as pessoas para realizar tarefas repetitivas, quem sabe se o preço das lava-louças não cai, finalmente?
sábado, 21 de abril de 2012
Você "possa"?
Hora do almoço num sábado. Enquanto aguardava por uma mesa, presencio um curto diálogo de profundidade impressionante: um simpático casal e um filhinho que aparentava ter entre 2 e 3 anos, não mais que isso, com certeza; ao ver o aperitivo colocado à disposição dos clientes que esperam por um lugar, o pai não resiste a uma inofensiva cairipinha. Mas, tomados por um grande cuidado com a possibilidade do filho querer experimentar o que o pai iria ingerir em seguida, ambos os adultos apressaram-se em dizer ao menino que aquela bebida fazia "muito mal às crianças", pois continha álcool, como apropriadamente frisava a etiqueta colada junto à torneirinha de onde saía o apetitoso líquido. Imediatamente, o garoto, ainda treinando a conjugação verbal, pergunta ao pai, que já se preparava para ingerir o tal líquido perigoso: "E você, possa?". Com um misto de surpresa e constrangimento, os pais ensaiaram uma resposta, que não cheguei a ouvir, já que minha vez de entrar chegara. Também, depois dessa pergunta, de alguém que, mesmo não sabendo conjugar um verbo, mas raciocinando com uma lógica certamente não percebida pelos pais, demonstrou claramente o que a sociedade insiste em não assumir: o exemplo dos pais no que se refere a hábitos pouco saudáveis ou, no caso do álcool, tão perigosos e danosos. O consumo do álcool e suas consequências, notadamente na violência entre pessoas, nos acidentes trânsito, é uma tragédia nacional, em nada debatida ou combatida. Pelo contrário, continuam as propagandas, os patrocínios e todo o tipo de incentivo ao consumo de álcool, a ponto de as pessoas se orgulharem do quanto conseguem beber. Quase uma imposição para a vida social, onde aqueles poucos idiotas que se recusam a consumir bebidas alcoólicas, ainda são inspiração para piadas, assim como os consumidores de álcool declarem suas preferências e quantidades com um grande orgulho, com risinhos entre os lábios. Será que a falta de debate se deve aos altos valores despejados na mídia pelas indústrias de bebidas alcoólicas? Voltando ao sábio garotinho, se a tal bebida que saía daquela torneirinha era tão danosa, porque o pai, seu natural mentor, iria consumi-la sem pestanejar?
quarta-feira, 4 de abril de 2012
EXPLORAÇÃO TERCEIRIZADA
Uma das poucas diferenças entre o ser humano e o restante dos representantes do mundo animal é a complexidade de tarefas para sua sobrevivência com um mínimo de dignidade: como se veste, o ser humano precisa que alguém lave e talvez passe suas roupas; como precisa alimentar-se, alguém há de se dispor a comprar os ingredientes e preparar a comida, além de, depois, lavar tudo o que se sujou para esse preparo, assim como para sua deglutição; como usa o banheiro, há de haver um semelhante seu que cuide da limpeza do recinto específico, que em algum momento precisará ser feita; e, como dorme numa cama e toma banho (pelo menos deveria fazê-lo regularmente), também é necessário que as roupas de cama e banho também passem por um processo de higiene periódica. A questão que quero colocar é justamente quem cuida dessas tarefas, quando o próprio ser vivente não se sente capaz ou não tem vontade de cuidar de si mesmo. Arriscar-me-ei a expor minhas inquietudes a respeito da divisão do trabalho doméstico, presente em todos os tempos e culturas de que temos notícia.
Vou começar pelo que considero uma indicação de que a civilização pode ser finalmente justa na equiparação entre os seres humanos de diferentes gêneros e classes sociais: um deputado sueco cuida pessoalmente da sua sobrevivência num apartamento de aproximadamente 30 m2, conforme noticiado na mídia. Ou seja, ele limpa, faz compras, cozinha, separa seu lixo, lava e passa sua roupa!!
Já nestas paragens que habitamos, quem pode, paga para uma representante do sexo feminino, que se sujeite a ganhar o menor salário possível, para cuidar dessas tarefas consideradas menos nobres.
Claro que há inúmeras situações e disponibilidade de tempo dependendo do trabalho feito fora de casa, mas é evidente que parece que algumas pessoas vieram ao mundo para sujar e outras para limpar. E aquele que veio para sujar, dificilmente dará valor ao que veio para limpar. Pelo contrário, sempre vai se orgulhar de quanto não precisa fazer. Se tudo aparecer limpo, organizado, disponivel, nem se dará conta de como tudo aconteceu. Se, por outro lado, houver sujeira, a geladeira estiver vazia, a roupa suja se acumular, é porque alguém não cumpriu seu papel. O que fará o privilegiado constatar que precisa reclamar.
Infelizmente, dada a proximidade que separa nosso atual estágio civilizatório das sociedades mais primitivas, a condição feminina continua extremamente desfavorável no que tange à divisão igualitária do trabalho doméstico. O fato é que, em diversas formas, das mais evidentes às mais subliminares, a mulher continua sendo explorada dentro das famílias, a menos que possa terceirizar essa exploração, repassando para outras mulheres, no trabalho doméstico, a mesma exploração!!
Vou começar pelo que considero uma indicação de que a civilização pode ser finalmente justa na equiparação entre os seres humanos de diferentes gêneros e classes sociais: um deputado sueco cuida pessoalmente da sua sobrevivência num apartamento de aproximadamente 30 m2, conforme noticiado na mídia. Ou seja, ele limpa, faz compras, cozinha, separa seu lixo, lava e passa sua roupa!!
Já nestas paragens que habitamos, quem pode, paga para uma representante do sexo feminino, que se sujeite a ganhar o menor salário possível, para cuidar dessas tarefas consideradas menos nobres.
Claro que há inúmeras situações e disponibilidade de tempo dependendo do trabalho feito fora de casa, mas é evidente que parece que algumas pessoas vieram ao mundo para sujar e outras para limpar. E aquele que veio para sujar, dificilmente dará valor ao que veio para limpar. Pelo contrário, sempre vai se orgulhar de quanto não precisa fazer. Se tudo aparecer limpo, organizado, disponivel, nem se dará conta de como tudo aconteceu. Se, por outro lado, houver sujeira, a geladeira estiver vazia, a roupa suja se acumular, é porque alguém não cumpriu seu papel. O que fará o privilegiado constatar que precisa reclamar.
Infelizmente, dada a proximidade que separa nosso atual estágio civilizatório das sociedades mais primitivas, a condição feminina continua extremamente desfavorável no que tange à divisão igualitária do trabalho doméstico. O fato é que, em diversas formas, das mais evidentes às mais subliminares, a mulher continua sendo explorada dentro das famílias, a menos que possa terceirizar essa exploração, repassando para outras mulheres, no trabalho doméstico, a mesma exploração!!
terça-feira, 3 de abril de 2012
A TAL POLÊMICA DAS SACOLAS PLÁSTICAS
Não há quem não saiba que o planeta vive um problemão representado pela fabricação e não destino adequado das sacolas plásticas. Muitas opiniões são externadas, mas pouca informação consistente permeia a discussão na mídia. Quase sempre se argumenta que as sacolas dos supermercados são usadas para acondicionamento de lixo doméstico, o que é uma realidade. NO ENTANTO, o que sempre observei no trabalho de empacotadores, quase sempre presentes nos supermercados, é um tremendo DESPERDÍCIO, travestido de bom serviço prestado ao consumidor, que sai de lá todo orgulhoso do bom atendimento do estabelecimento, que lhe fornece uma quantidade generosa de sacolas plásticas que irão poluir o planeta que também habito!!! Sempre tentei embalar minhas compras, já que a maior parte do meu carrinho é de frutas, verduras e legumes que, normalmente, levo anos para escolher, já que pago bem caro por hortifrutis no supermercado. Se eu não cuidar dos meus delicados mamões, ninguém o fará. Então, embalo tudo; hoje, nas minhas sacolas retornáveis. Mas, olhando o caixa ao lado, vejo empacotadores preocupados com a gorjeta que poderão ganhar, além da agilidade no acondicionamento dos produtos. Aí, não tem jeito! é um festival de desperdício atrás do outro, colocando em cada sacola poluidora, no máximo, 30% da sua capacidade. Ou seja, a questão da cobrança pelas sacolas é o preço delas, o que fará diminuir o desperdício. Não tem outro jeito!!!! Esqueça qualquer possibilidade de conscientização, pois isso não existe.
E o lixo? Onde colocá-lo?
Bom, depois de muito pesquisar, descobri que começou a ficar disponível aos brasileiros um produto que já era fabricado aqui, embora a produção fosse totalmente exportada: sacos feitos com etanol da cana de açúcar brasileira. Certamente, aparecerão muitas alternativas. O saco para lixeirinha de banheiro custa por volta de R$ 0,10/unidade, que não parece ser nenhum absurdo, mas é melhor encher totalmente o saquinho antes de mandar para o lixão. Afinal de contas, pagando por ele, dar-lhe-emos mais valor. E, por isso mesmo, não é recomendável que os supermercados forneçam esse tipo de sacola de cana-de-açúcar gratuitamente. Se for assim, com a ajuda dos inestimáveis empacotadores e seus ilustres clientes satisfeitos, acabaríamos com o que resta da Amazônia para plantar cana-de-açúcar suficiente!!
O consumidor já aprendeu que tem direitos, mas está na hora de saber que também tem obrigações.
E o lixo? Onde colocá-lo?
Bom, depois de muito pesquisar, descobri que começou a ficar disponível aos brasileiros um produto que já era fabricado aqui, embora a produção fosse totalmente exportada: sacos feitos com etanol da cana de açúcar brasileira. Certamente, aparecerão muitas alternativas. O saco para lixeirinha de banheiro custa por volta de R$ 0,10/unidade, que não parece ser nenhum absurdo, mas é melhor encher totalmente o saquinho antes de mandar para o lixão. Afinal de contas, pagando por ele, dar-lhe-emos mais valor. E, por isso mesmo, não é recomendável que os supermercados forneçam esse tipo de sacola de cana-de-açúcar gratuitamente. Se for assim, com a ajuda dos inestimáveis empacotadores e seus ilustres clientes satisfeitos, acabaríamos com o que resta da Amazônia para plantar cana-de-açúcar suficiente!!
O consumidor já aprendeu que tem direitos, mas está na hora de saber que também tem obrigações.
domingo, 18 de dezembro de 2011
BROTOEJAS E PEDRADA NA VIAGEM A GUARAPARI
Era para ser uma viagem emocionante. E foi! Em 1979, eu trabalhava meio período e estava começando o terceiro ano da faculdade. Para variar, a grana era prá lá de escassa naqueles tempos. Aos quase 20 anos, eu nunca havia ficado mais que algumas horas em alguma praia, que só visitava na condição de autêntica farofeira. Foi aí que a Bete, minha amiga de muitos anos, convidou-me para ir com sua família para Guarapari, onde ficaríamos num hotel por 9 dias. Nove dias!!! Não resisti, apesar de não ter um tostão guardado para uma ocasião dessas. Juntei uns caraminguás, compramos passagem de ônibus e seguimos por longas horas, num destino a 900 km de S.Paulo. Lá na praia, tudo era novidade para mim: as areias pretas, acordar e ir dormir sem ter que ir embora daquele lugar tão gostoso, os passeios, ... até a comida do hotel, que não era tão grande coisa, mas como eu era muito esfomeada, comia muito. Parecia que tinha voltado de uma guerra. Até que, por não usar protetor solar (acho que usava bronzeador para queimar mais), comecei a sentir uma coceira dos braços. Conforme eu coçava, minha pele ia ficando vermelha e as brotoejas iam aparecendo e se espalhando. Um horror! Depois de 5 dias, eu já não aguentava mais e ainda ficaríamos ali por um tempinho. Foi difícil esperar, embora eu ainda tivesse alguma esperança de a coisa melhorar. Mas, que nada! Só piorou. Foi espalhando pelo pescoço, costas, apareceu na barriga, nas pernas, ... Na volta, no ônibus, combinamos, a Bete e eu, de revesarmos a janelinha. Aí percebi que minha falta de sorte ainda não tinha acabado. Assim que trocamos, e era eu que ficaria na janela, uma pedrada acordou-me do primeiro cochilo que conseguira tirar. O vidro estilhaçou-se todo e entrou na minha roupa, nas minhas orelhas, ... E, pior, com o vento que entrava, não dava mais para ficar ali no banco. Resultado: como não havia nenhum banco vago, terminei a viagem sentada nos degraus do ônibus, ao lado do motorista, que nem simpático foi comigo. Ninguém, absolutamente ninguém, dispos-se a me ceder, ainda que temporariamente, uma poltrona para que eu descansasse um pouquinho. Uma solidariedade !!!!
Na volta, somente alguns dias depois, com o tempo mais fresco, é que as brotoejas começaram a secar. O resultado não foi o bronzeado tão sonhado, lógico, mas o alívio de sentir a coceira passar foi fantástico. Eu adorava ficar arrepiada de frio. Já os estilhaços de vidro ainda saíram da minha orelha por uma semana. Não sobraram sequelas, só a frustação do bronzeado que não obtive, além do extremo cuidado que tive daí em diante com minha falta de melanina. Já o custo da viagem, que paguei depois, foi um mês inteirinho do meu salário que acabara de receber. Nem sei como consegui grana para sobreviver até o salário seguinte. Ô dureza!!
Na volta, somente alguns dias depois, com o tempo mais fresco, é que as brotoejas começaram a secar. O resultado não foi o bronzeado tão sonhado, lógico, mas o alívio de sentir a coceira passar foi fantástico. Eu adorava ficar arrepiada de frio. Já os estilhaços de vidro ainda saíram da minha orelha por uma semana. Não sobraram sequelas, só a frustação do bronzeado que não obtive, além do extremo cuidado que tive daí em diante com minha falta de melanina. Já o custo da viagem, que paguei depois, foi um mês inteirinho do meu salário que acabara de receber. Nem sei como consegui grana para sobreviver até o salário seguinte. Ô dureza!!
A HISTÓRIA DA CARLOTA
A Carlota chegou às nossas vidas em setembro de 2008. Foi uma sequência de acasos com um final inesperado e vitorioso, graças à obstinação dessa criaturinha.
Ao ir para o trabalho, eu pegava o metrô na estação Sumaré, onde eu via vários gatinhos que ficavam perambulando por ali. Uma noite, enquanto aguardava que meu pai chegasse para me dar uma carona de volta para casa, notei uma gatinha que mancava, junto aos outros. Fiquei com pena e resolvi resgatá-la para dar à minha sogra, já que a Charlote morrera pouco tempo antes. No resgate da Carolina, a manquinha, fiquei sabendo que quem cuidava de mais de 20 gatos por ali era a Dona Masako, um doce de criatura que se entrega à missão de salvar o maior número de vidas que ela consegue, naquela região.
Foi contando a história da Carolina para o Rafael. que ele perguntou se tinha mais gatinhos como ela por lá, que ele pretendia adotar para fazer companhia às suas outras duas gatas. Pedi, então, à Dona Masako, que escolhesse um gatinho que precisasse mais desesperadamente de sair das ruas. Imediatamente, Dona Masako lembrou-se da Carlota, que nem nome tinha, uma gatinha que fora castrada, perdendo os filhotes que esperava e foi devolvida às ruas, por não ter nenhum adotante que a quisesse. Nas ruas, seu "endereço" era embaixo de um viaduto, em Pinheiros, próximo à Av.Sumaré, de onde a Carlota não se afastava, esperando pelo seu destino.
Quando meu pai chegou com a Carlota na minha casa, que seria seu lar provisório, a primeira providência dessa hóspede foi fazer xixi na minha cozinha inteira, tão desesperada ela ficou com o lugar estranho onde chegara. E, antes de doá-la ao Rafael, decidi levá-la ao veterinário e fazer exames de possíveis doenças transmissíveis às outras gatas dele. E qual não foi nossa tristeza ao saber que ela era portadora de FELV! Quando os gatos têm esse vírus, que não contamina o ser humano, eles têm de ser "filhos únicos". Aí não tive escolha senão destiná-la à minha mãe, único lugar para onde eu poderia levá-la, já que não poderia ficar junto das minhas gatas.
Mesmo a contragosto, minha mãe teve de aceitá-la. Mas, duas semanas após sua chegada, minha mãe ligou-me dizendo que a Carlota estava comendo a areia da bandeja e estava muito fraca. Liguei para nossa veterinária, a Dra.Helena, que nos orientou a levá-la ao Pronto Socorro, pois ela certamente estava com uma anemia severa. Foi o que fizemos e descobrimos que ela tinha uma doença transmitida pela pulga, que a estava matando rapidamente. No Pronto Socorro, a veterinária que cuidou da Carlota achou, inicialmente, que ela não sobreviveria, dada a rapidez com que a Carlota foi enfraquecendo. Numa de nossas visitas, ela explicou que estava impressionada com o estado de fraqueza em que ela chegou, ao mesmo tempo em que via os sinais de que a Carlota lutava desesperadamente para sobreviver, o que era constatado pelo seu exame de sangue. E tanto lutou, que sobreviveu. Seu caso ficou famoso no Hospital veterinário.
Mais tarde, minha mãe contou que fizera uma promessa para São Francisco de Assis que, se a Carlota sobrevivesse, ficaria com ela, idéia que ela rejeitava até aquele momento. Quando voltou para casa, ainda teve de tomar um remédio durante um mês, coisa que meus pais faziam muito sem jeito, mas que conseguiram dar conta.
Tempos depois, foi muito bom chegar à casa deles e ver os três juntos assistindo TV. A Carlota não ficou mais doente e pode ser até que tenha derrotado o vírus da FELV, de tão forte que está agora. Ainda não repetimos o exame porque ela detesta sair de lá. É só ver a gaiolinha que entra em pânico. Também, né, depois de finalmente conseguir um lar carinhoso, não é nada bom se arriscar a perdê-lo!! Essa deu um duro danado para conseguir esse cantinho para viver!
Ao ir para o trabalho, eu pegava o metrô na estação Sumaré, onde eu via vários gatinhos que ficavam perambulando por ali. Uma noite, enquanto aguardava que meu pai chegasse para me dar uma carona de volta para casa, notei uma gatinha que mancava, junto aos outros. Fiquei com pena e resolvi resgatá-la para dar à minha sogra, já que a Charlote morrera pouco tempo antes. No resgate da Carolina, a manquinha, fiquei sabendo que quem cuidava de mais de 20 gatos por ali era a Dona Masako, um doce de criatura que se entrega à missão de salvar o maior número de vidas que ela consegue, naquela região.
Foi contando a história da Carolina para o Rafael. que ele perguntou se tinha mais gatinhos como ela por lá, que ele pretendia adotar para fazer companhia às suas outras duas gatas. Pedi, então, à Dona Masako, que escolhesse um gatinho que precisasse mais desesperadamente de sair das ruas. Imediatamente, Dona Masako lembrou-se da Carlota, que nem nome tinha, uma gatinha que fora castrada, perdendo os filhotes que esperava e foi devolvida às ruas, por não ter nenhum adotante que a quisesse. Nas ruas, seu "endereço" era embaixo de um viaduto, em Pinheiros, próximo à Av.Sumaré, de onde a Carlota não se afastava, esperando pelo seu destino.
Quando meu pai chegou com a Carlota na minha casa, que seria seu lar provisório, a primeira providência dessa hóspede foi fazer xixi na minha cozinha inteira, tão desesperada ela ficou com o lugar estranho onde chegara. E, antes de doá-la ao Rafael, decidi levá-la ao veterinário e fazer exames de possíveis doenças transmissíveis às outras gatas dele. E qual não foi nossa tristeza ao saber que ela era portadora de FELV! Quando os gatos têm esse vírus, que não contamina o ser humano, eles têm de ser "filhos únicos". Aí não tive escolha senão destiná-la à minha mãe, único lugar para onde eu poderia levá-la, já que não poderia ficar junto das minhas gatas.
Mesmo a contragosto, minha mãe teve de aceitá-la. Mas, duas semanas após sua chegada, minha mãe ligou-me dizendo que a Carlota estava comendo a areia da bandeja e estava muito fraca. Liguei para nossa veterinária, a Dra.Helena, que nos orientou a levá-la ao Pronto Socorro, pois ela certamente estava com uma anemia severa. Foi o que fizemos e descobrimos que ela tinha uma doença transmitida pela pulga, que a estava matando rapidamente. No Pronto Socorro, a veterinária que cuidou da Carlota achou, inicialmente, que ela não sobreviveria, dada a rapidez com que a Carlota foi enfraquecendo. Numa de nossas visitas, ela explicou que estava impressionada com o estado de fraqueza em que ela chegou, ao mesmo tempo em que via os sinais de que a Carlota lutava desesperadamente para sobreviver, o que era constatado pelo seu exame de sangue. E tanto lutou, que sobreviveu. Seu caso ficou famoso no Hospital veterinário.
Mais tarde, minha mãe contou que fizera uma promessa para São Francisco de Assis que, se a Carlota sobrevivesse, ficaria com ela, idéia que ela rejeitava até aquele momento. Quando voltou para casa, ainda teve de tomar um remédio durante um mês, coisa que meus pais faziam muito sem jeito, mas que conseguiram dar conta.
Tempos depois, foi muito bom chegar à casa deles e ver os três juntos assistindo TV. A Carlota não ficou mais doente e pode ser até que tenha derrotado o vírus da FELV, de tão forte que está agora. Ainda não repetimos o exame porque ela detesta sair de lá. É só ver a gaiolinha que entra em pânico. Também, né, depois de finalmente conseguir um lar carinhoso, não é nada bom se arriscar a perdê-lo!! Essa deu um duro danado para conseguir esse cantinho para viver!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
QUER SER UM BOM EXEMPLO?
Sempre fiquei incomodada ao ver cães e gatos abandonados ou cavalos magros puxando carroças lotadas sob chicotadas, coisas que eu via desde pequena, morando na periferia de São Paulo. Sem falar na tristeza ao ver pássaros em gaiolas, touradas, utilização de animais em circos ou rodeios, e tantas formas de torturas inventadas pelo ser humano para seu entretenimento.
Mas, apesar de sentir pena, eu achava que era um problema meu, já que isso acontece desde sempre. Pelo menos, era o que me diziam: “É, mas fazer o quê, com tanto problema no mundo?” Realmente, o mundo tem muitos problemas, muitos de difícil solução.
Bom, aí veio a Internet e todas as suas tão infindáveis possibilidades, dentre tantas a de descobrir que eu não era a única a me incomodar com a forma como os animais são abandonados e maltratados. Antes da Internet, se eu ameaçasse falar da minha preocupação com os animais, eu ouvia o clássico: “e com as crianças, você se preocupa?” Ainda ouço isso, mas agora sei que o problema não é comigo e sim com a falta de informações e de reflexão por parte dos supostos críticos. As pessoas que se interessam por ter animais, cães ou gatos, automaticamente pensam em comprá-los, de preferência aqueles considerados “de raça”, sugerindo, assim, necessidade de ostentação. Por outro lado, existem milhares de animais abandonados pelas ruas, e um enorme número de abrigos de pessoas que, mesmo sem recursos financeiros, por compaixão dos bichinhos, acabam por acolhê-los. A falta de informação e o raciocínio limitado, que a maioria das pessoas dedicam ao assunto, criam um cenário no qual as pessoas que têm compaixão e refletem sobre o motivo pelo qual é mais do que justificável se importar com os animais, são moralmente violentadas, quando suas motivações tão racionais quanto emocionais são desqualificadas com argumentos de rebuscamento vulgar.
Cães e gatos são deixados às suas portas, de “raça” ou não, e essas pessoas verdadeiramente altruístas, acolhem-nos por não verem outra solução, embora sempre já estejam muito, muito acima de suas possibilidades. Esses assim chamados protetores de animais normalmente não têm sequer como manter a si próprios, mas acolhem os bichos dependendo exclusivamente das doações que pedem e por elas esperam na maior angústia, pois, se não vierem, terão de conviver com animais passando fome, sem poder tratá-los, haja vista que a maioria é deixada em abrigos em estado deplorável. Nem é preciso dizer que receber ajuda financeira, num mundo onde há tanto trambique, é coisa complicada. Aliás, ninguém critica colecionadores das mais diversas tranqueiras, mas se você disser que ajuda abrigos de animais, dizem que a prioridade é o “ser humano” (?!).
Voltando aos abrigos, não é difícil imaginar, também, que, embora o que esses protetores mais queiram é que apareçam adotantes, pessoas que, ao invés de COMPRAR um cão ou gato num Pet Shop, procurem nos abrigos por um novo amigo, os adotantes são raríssimos. Há uma regra entre os protetores que os animais devem doados após serem tratados, vacinados e castrados, já que um animal não castrado pode dar origem a milhares de outros animais. Já os “Pet shops” não têm essa preocupação, pois castrá-los diminuiria o lucro/unidade.
Voltando aos abrigos, não é difícil imaginar, também, que, embora o que esses protetores mais queiram é que apareçam adotantes, pessoas que, ao invés de COMPRAR um cão ou gato num Pet Shop, procurem nos abrigos por um novo amigo, os adotantes são raríssimos. Há uma regra entre os protetores que os animais devem doados após serem tratados, vacinados e castrados, já que um animal não castrado pode dar origem a milhares de outros animais. Já os “Pet shops” não têm essa preocupação, pois castrá-los diminuiria o lucro/unidade.
Acredito, na melhor das hipóteses, que quem compra um animal, por realmente gostar de animais e não para ter mais um objeto de consumo a ostentar, não tenha noção da possibilidade de adotá-lo num abrigo ou nem cogite tirar um da rua, prática não corrente em nossa sociedade, por falta de informação e conseqüente reflexão. Ninguém pega uma doença se tiver práticas higiênicas ao recolher o animal. O fato é que os abrigos só são lembrados para DESOVA de animais. “Quer se livrar do bicho? Eu conheço uma velhinha que “pega”!!!!! E aí a prefeitura cai em cima do protetor, pelo excesso de animais, não causado pelo protetor mas pelo abandono, tanto daqueles que descartam os bichos que compraram, quanto do Poder Público, ineficiente no controle populacional através de castrações e doações responsáveis.
Pessoas que recolhem animais abandonados estão prestando um serviço ao Estado, que deveria ser responsável por elaborar políticas públicas para os animais domésticos, já que todos os animais são tutelados pelo Estado, conforme determinado pela Constituição Federal. E não poderia ser diferente, já que o acolhimento de animais é SANITÁRIO, pois tanto se fala que é um perigo pegar doenças de animais, ainda mais se eles estiverem doentes nas ruas e as sujando; também, e talvez até de mais importância a ser destacada, é que esse trabalho dos protetores é também EDUCATIVO, uma vez que claramente ensina, sobretudo aos jovens, a importância de se ajudar o outro, sejam pessoas ou animais em estado de sofrimento. É não se divertir com o sofrimento alheio. É não desmerecer a vida do outro. É uma aula para como se tratar as pessoas. Trata-se verdadeiramente de uma cultura de paz e não violência, de demonstração da compaixão e do acolhimento... e também do não julgamento do outro pela "raça", cor ou sexo.
Se é possível conseguir adotantes para animais, com uma política conjunta de castração e proibição de comércio, por que continuar com o extermínio nos CCZ’s, cujas mortes acontecem de forma violenta e indiscriminada?
Se é possível conseguir adotantes para animais, com uma política conjunta de castração e proibição de comércio, por que continuar com o extermínio nos CCZ’s, cujas mortes acontecem de forma violenta e indiscriminada?
Quando saem notícias nos jornais de que o mercado PET cresce tanto, enquanto os abrigos estão cada vez mais lotados, fico pensando no que é a falta de informação, culpa de nossa imprensa tão desinformada e incompetente: sempre que aparece alguma matéria no jornal, é sobre “artigos de luxo” para poodlezinhos de madames, que usam o colar tal, que custam milhares de reais, deixando as pessoas, que não gostam tanto de bichos, indignadas porque os bichos vivem melhor que as crianças. Lógico! Até eu me incomodo quando o bicho representa um gasto absurdo mensal, até porque o cachorro não está nem um pouco interessado nisso. Quando vejo empregadas passeando com cães aqui no meu bairro classe média, tenho certeza que o patrão gasta mais com o cachorro do que com a empregada !!!! Mas isso já foi assunto de outra postagem neste blog.
Se você, leitor, ainda achar que quer um cão ou um gato “de raça” (olha o holocausto aí, gente!), saiba que esses coitados estão propensos a muito mais doenças, dado o cruzamento entre famílias, para tornar a raça “pura”. Vira-latas, como nós todos somos, são fortes, inteligentes, não precisam da tosa “da raça” (estão sempre prontos!), fiéis, até heróis e, ainda assim, são melancolicamente rejeitados!!!!!
Por isso, caro leitor que aqui chegou, quando pensar em ter um bichinho, ou souber de alguém que esteja pensando no assunto, recolha um animal abandonado ou procure num abrigo. São inúmeros. Você fará um ótimo negócio, pois o bicho será gratuito. Não custa tanto ser racional. Você pode tornar o mundo menos cruel e dar um grande exemplo a seus filhos, aos vizinhos, ao cunhado, ...
sábado, 19 de novembro de 2011
QUANTO CUSTA COMPRAR E MANTER UM CARRO
O transporte público em São Paulo, os ônibus, são uma porcaria, o preço é um absurdo, os motoristas dirigem mal, os pontos de ônibus não têm informações sobre os roteiros de cada linha, muito menos há equipamentos que informem quanto tempo falta para cada linha chegar ao ponto, coisa comum em países desenvolvidos. Por isso, quem pode, compra um carro. Ou dois. Ou três. Só depende da quantidade de garagens de que dispuser cada família. Muitos dizem que usariam o transporte público, caso tivesse qualidade. Mas acho que a situação é inversa: enquanto a classe média formadora de opinião, que sabe reclamar, não for obrigada a usar os ônibus, já que não haverá metrô suficiente durante muito tempo, ainda, não haverá nenhuma melhora. Assim, com o objetivo de pelo menos ajudar a fazer as contas, cito, abaixo, os gastos que envolvem a posse de um veículo. Feitas as contas, resta a alternativa de usar os táxis, gerando emprego e renda a esses valorosos profissionais, que não deixam de ser interessantes para uma conversa animada.
Custo da posse de um veículo:
a) o preço do carro;
b) combustível, adulterado ou não;
c) manutenção mecânica;
d) seguro;
e) garagem, se morar em prédio (lembre-se que, mesmo sua, você pode alugá-la, se não usar);
f) estacionamento;
g) IPVA;
h) seguro obrigatório;
i) licenciamento;
j) taxa de inspeção veicular;
k) multas (dependem do motorista);
l) consertos em casos de batidas eventuais;
m) zona azul;
n) lavagem;
o) depreciação do veículo.
Faltou alguma coisa?
Custo da posse de um veículo:
a) o preço do carro;
b) combustível, adulterado ou não;
c) manutenção mecânica;
d) seguro;
e) garagem, se morar em prédio (lembre-se que, mesmo sua, você pode alugá-la, se não usar);
f) estacionamento;
g) IPVA;
h) seguro obrigatório;
i) licenciamento;
j) taxa de inspeção veicular;
k) multas (dependem do motorista);
l) consertos em casos de batidas eventuais;
m) zona azul;
n) lavagem;
o) depreciação do veículo.
Faltou alguma coisa?
O PROFESSOR DE CONTABILIDADE
Sempre estudei em escola pública. Em 1972/3, nas 7ª e 8ª séries, a oportunidade de ter sido aluna do Professor Renaldo Gardenghi determinou muito do que eu seria a partir daquela experiência. Nessa época, por acaso na época da ditadura, havia um projeto de profissionalização dos estudantes de escolas públicas, fato que me ajudou até a conseguir emprego com mais facilidade, não só por aprender contabilidade, mas também por uma cartinha que ele nos ditou numa aula. Pensando em nos ajudar, quando fôssemos procurar um emprego, ele elaborou, naquele mesmo momento, um texto; mandou-nos pegar uma folha de sulfite e ir copiando. Lá fui eu, tentando caprichar na estética do papel, sem linhas. Ele, enquanto elaborava e ditava a carta, foi percorrendo mesa a mesa e nos observando. Ao final, veio em minha direção, sem vacilar e sem pedir licença, pegou minha carta e foi mostrando para cada aluno como ele esperava que a carta tivesse sido escrita: estética, margens, letra bonitinha, capricho. Enquanto mostrava a carta, ele a chacoalhava e eu fui ficando tensa porque o papel estava ficando amassado! Hoje, não só recordo com detalhes de tudo isso, como sei que o parágrafo final deve ter me ajudado muito. Guardado na memória, tive oportunidade de usá-lo e consegui mais de um emprego com essas palavras. "Tendo boa vontade, aliada a um grande amor ao trabalho, tenho certeza de que, se aproveitada, tornar-me-ei o mais breve possível, depositária da estima e confiança de meus superiores." Quando "fui aproveitada", esforcei-me para provar que não tinha mentido, apesar da frase não ter sido criada por mim. Mas sempre é tempo de apresentar a referência bibliográfica e render-lhe os créditos.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A LATA DE REFRIGERANTE DO DOUGLAS
Foi há mais de 10 anos. Guarujá. O Rafael levara um amigo para o fim de semana na praia: o Douglas, um gordinho bem simpático. Fomos, então, O Rafael, o Douglas, o Victor e eu, por acaso quatro filhos únicos, coisa que nem sequer vem ao caso, andar pela orla da praia. Viciado em refrigerante, o Douglas tratou logo de comprar o seu. Aí, despretensiosamente, já que acabara de tomá-lo, o nosso amigo gordinho não hesitou: jogou a latinha vazia para o alto e para trás. O intrépido alumínio caiu no asfalto, provocando um som instigante. O Rafael, incomodadíssimo com a atitude do amigo que trouxera àquele espaço público, não se conteve: parou, colocou a mão na cintura e resmungou: "Pô, cara. Olha o que você fez NA FRENTE DELA!!!"
Ou seja, para minha total desilusão, o que estava errado era o fato de a lata ter sido jogada na rua na minha presença!!!. De qualquer forma, uns com mais, outros com menos boa vontade, providenciamos um destino adequado para a latinha.
Tenho certeza de que, hoje, nem o Rafael, nem o Douglas, homens feitos a esta altura, jamais repetiriam a cena. Mas, andando pelas ruas, frequentando pontos de ônibus, assistindo reportagens sobre enchentes, não é difícil constatar que pouca coisa mudou na atitude das pessoas quanto ao destino do lixo que cada um produz, em consequência de suas nobres existências!!! Num mundo em que há cada vez mais urgência em sermos todos responsáveis pela quantidade e destino do lixo que produzimos, dando o destino adequado, é triste constatar que ainda se joga qualquer coisa em qualquer canto.
Ou seja, para minha total desilusão, o que estava errado era o fato de a lata ter sido jogada na rua na minha presença!!!. De qualquer forma, uns com mais, outros com menos boa vontade, providenciamos um destino adequado para a latinha.
Tenho certeza de que, hoje, nem o Rafael, nem o Douglas, homens feitos a esta altura, jamais repetiriam a cena. Mas, andando pelas ruas, frequentando pontos de ônibus, assistindo reportagens sobre enchentes, não é difícil constatar que pouca coisa mudou na atitude das pessoas quanto ao destino do lixo que cada um produz, em consequência de suas nobres existências!!! Num mundo em que há cada vez mais urgência em sermos todos responsáveis pela quantidade e destino do lixo que produzimos, dando o destino adequado, é triste constatar que ainda se joga qualquer coisa em qualquer canto.
BRASILEIRO RECLAMA DE QUÊ?
Diferentemente das outras postagens, não elaborei a lista e conclusões, abaixo. Recebi este desabafo, através de e-mail. São listadas várias "pequenas" corrupções e transgressões, que muito contribuem para a desorganização da sociedade. Algumas em consequência da má organização do Estado, outras que não causariam mal maior à sociedade, mas que não deixam de demonstrar que há muita conivência com o não cumprimento das regras, leis e normas, que são feitas justamente para organizar a vida em sociedade. Acredito que valha a pena refletir sobre essas questões. Essa conivência, ou "jeitinho brasileiro" precisa ser reconsiderada.
"O Brasileiro é assim:
- Coloca nome em trabalho que não fez.
- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
- Paga para alguém fazer seus trabalhos.
- Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
- Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
- Fala ao celular enquanto dirige.
- Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos
- Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
- Viola a lei do silêncio.
- Dirige após consumir bebida alcoólica.
- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
- Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
- Faz "gato " de luz, de água e de tv a cabo.
- Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
- Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
- Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
- Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
- Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
- Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
- Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
- Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve. (Vive na base do"achado não é roubado, quem perdeu é relaxado").
E quer que os políticos sejam honestos....
Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!
Espalhe essa idéia!
"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos...."
Colhemos o que plantamos! A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes. "
domingo, 23 de outubro de 2011
O QUE REPRESENTA O IMPOSTÔMETRO?
Nossa imprensa se ocupa, com frequência, de divulgar dados do "Impostômetro" da Fiesp, mostrando seus números, como se representassem algo de relevante importância. A cara dos apresentadores de telejornais, de desconforto, surpresa, com a quantidade de algarismos citadas, é enigmática. Afinal, o que significa dizer o quanto se paga de impostos, em termos nominais? Ou mesmo, o que querem nos informar com os cálculos de quantos dias por ano é necessário trabalhar para pagar impostos? Penso que de trata de perigosa desinformação. Pagar impostos, num estado democrático, em que as pessoas pretendem circular pelas ruas e não viver penduradas em árvores, é imprescindível, necessário, obrigatório, inexorável. Todos querem ter ruas asfaltadas, segurança, redes de água, esgotos, transporte, saúde, educação, tudo fornecido pelo Estado, mesmo com as deficiências evidentes na prestação desses serviços, tal como prestados. O Estado, tal como constituído, não tem como existir sem os recursos provenientes dos impostos, que os cidadãos, que criaram esse Estado, pagam. Não existe alternativa. Quando algum iluminado resolve dizer que a sonegação é uma forma de contestar a qualidade da prestação desses serviços, argumento apresentado à exaustão na mídia, é porque quase ninguém entende a distinção entre Estado e Governo. Questionam-se os impostos pagos ao Estado, sem perceber que o que tem de ser indagado, fiscalizado, cobrado, é o Governo eleito, que gere tão mal esses recursos, considerando as assombrosas somas desviadas na corrupção instalada. O Estado continuará existindo, mas o Governo pode e deveria ser constantemente mudado, vigiado, acompanhado. Ao invés de blasfemar contra a fúria arrecadatória do Estado, por que o indignado cidadão não usa toda essa energia para escolher melhor seus representantes? E, mesmo depois de escolhidos, por que não existe uma vigilância, hoje possível, com dados disponíveis até na própria Internet, do que cada um está fazendo e suas consequências? Com um mínimo de vigilância, não haveria a possibilidade de figuras tão ignorantes, mal intencionadas, sendo reeleitas indefinidamente. Democracia e cidadania dão muito trabalho, mas seu exercício é a única solução para o fim da sonegação e da corrupção, pragas que não deixam as sociedades desiguais saírem dessa condição! O problema é que os jornais não podem "entediar" o espectador, senão os patrocinadores não vão gostar. Com a palavra, o cidadão-espectador!
MADONNA, A CACHORRA
A Madonna foi uma legítima vira-lata, que fez parte da vida de muitas pessoas que trabalharam na Av.Santa Marina e que deixavam seus carros no estacionamento em frente ao INSS. Apareceu, como todo vira-lata abandonado, não se sabe de onde. Era adulta, inteligente e treinadíssima. Aprendeu logo que, se recebesse as pessoas que acabavam de estacionar, podia ganhar carinho. E fez o trabalho com alegria, uma alegria contagiante que só os que nascem para serem felizes e transmitir felicidade, podem fazê-lo tão bem. Para a Madonna, não havia dia de tristeza. Eu é que vivia preocupada de tanto vê-la atravessar a rua movimentada, tanto na atividade de acompanhar as pessoas, quanto apenas para distrair-se indo de mão em mão. Tentei, por muito tempo, conseguir que alguém a adotasse, pois sei que o trânsito, mais dia, menos dia, iria feri-la ou matá-la, não tinha jeito. E mesmo sabendo que a Madonna, na condição de vira-latas sem dono, tinha muito mais, tanto em carinho quanto em comida, que seus semelhantes virinhas abandonados. De qualquer forma, como sempre, não consegui adotante. Pessoas, que poderiam tê-lo feito, preferiram comprar filhotes em pet-shops, como sempre acontece, tirando as poucas oportunidades que conheci de que a Madonna pudesse finalmente ter um lar. Até que, um dia, chegando ao estacionamento, não a vi. A dona desse estabelecimento, supostamente a pseudo-dona (já que a Madonna mantinha seus clientes felizes), disse que a vira andar em direção à Marginal Tietê e nunca mais voltou. Não acreditei na história, pois a Madonna não tinha motivos para nos abandonar, embora não fôssemos tão fiéis quanto ela. Pouco tempo depois, os donos do estacionamento troxeram um rottweiler, que abandonaram no mesmo estacionamento quando deixaram o negócio, o que não demorou muito. Eu gostaria de ter uma foto dela, tão básica, porte médio para grande, pelos curtos de todas as cores misturadas, orelhas grandes e um largo sorriso no rabo!! Que saudade!!
MEU GURGEL
Sim. Eu tive um Gurgel, carro genuinamente nacional, um "combinado" de peças de várias origens, verdadeira colcha de retalhos. Era um jipinho, com motor de fusca 1.6, com carroceria feita de feito de fibra de vidro, um X12TR. Como o comprei para substituir meu fusca, o Bonifácio, que comprei já com 60.000 km e com o qual fiquei 10 anos, planejei ficar com o Gurgel por muito tempo. Achei um pouco estranho, pois tinha rodado uns 500 km, quando o comprei e a loja não explicou o porquê. Fiquei sem saber se tinha comprado um carro zero. Mas ele aprontaria bastante. Bebia gasolina vorazmente. A estabilidade era mínima, considerando os enormes pneus. A "primeira" que ele me aprontou foi complicada: quando fui sair de uma faixa exclusiva de ônibus, delimitada por "tartarugas", na qual eu tinha entrado sem me dar conta. Tentando sair desse espaço imediatamente, foi só passar por cima desses obstáculos e o carro perdeu todos os controles, travou tudo, não consegui brecar e fui girando na avenida em direção a algumas pessoas paradas, esperando no ponto de ônibus. Só não atingi ninguém, porque bati, antes, numa kombi velha que vinha pela pista à minha direita e "segurou" meu carro, ficando toda amassada. Bom prejuízo, mas felizmente nenhuma vítima. A "segunda" foi quanto eu ia buscar o Victor na escolinha e parou todo o trânsito na direção que eu seguia. Como não queria me atrasar na saída da escola, dei meia-volta na rua e fiquei de cara com um caminhão na contra-mão; como o motorista não fazia menção de sair do local, saí do carro para pedir-lhe que me desse caminho e, ao voltar para o ilustre Gurgel, apressada e nervosa, ao brecar, na descida, pisei na embreagem (os pedais eram estranhos, e era necessário dirigir meio "torta" para acertá-los). Bati no caminhão, que ainda não se mexera, o capô do Gurgel levantou, mas não amassou. Paguei o estrago do caminhão. Tempos depois, o capô abriu novamente, só que no meio da rodovia Pres.Dutra, sem prévio aviso, tirando-me toda a visão. Tive de dirigir de cabeça para fora, até alcançar o acostamento. Salvei-me, novamente. Por fim, saindo do trabalho, fui engatar uma marcha e fiquei com o câmbio na mão. Soltou-se. Quebrou. Não quis me arriscar mais. Vendi o carro!! Encheu. Nunca mais comprei carro feito de partes aleatórias! Deve ter sido praga do Fusca. É só ler a postagem do Bonifácio para entender.
sábado, 22 de outubro de 2011
DO ESTAGIÁRIO ESPECIAL
Quando cursei Administração de Empresas, cheguei à conclusão de que deveria me dedicar à área de Recursos Humanos, já que acreditava que seria muito interessante trabalhar na seleção de pessoal. Tenho a pretensão de achar que saberia detectar as potencialidades de candidatos a determinadas vagas. No penúltimo ano da faculdade, tentei conseguir estágio nessa área e fracassei totalmente. Mas consegui emprego na área de Finanças, no que me especializei, e não em RH, e considerei que não teria mais a chance de participar de nenhum processo de seleção, na condição de selecionadora. Mas, em uma única ocasião, aconteceu: trabalhando no Banco do Brasil, fiquei um tempo na área de Pessoal e, apesar dos funcionários serem todos concursados, houve, a partir de 1990, mais ou menos, contratação de estagiários. Por sorte, para mim, chegaram as férias do responsável pela seleção de estagiários e fiquei no lugar dele. Como avaliação aos candidatos,tinha sido elaborado um teste, de forma até bastante inconsistente, um questionário com alternativas de múltipla escolha, que tentava avaliar alguma coisa do avaliado. Rapidamente, fui informada que esse teste havia mesmo sido elaborado às pressas, na falta de algo melhor. Sem também me sentir apta a melhorá-lo, incluí a elaboração de uma redação, para que me sentisse um pouco mais segura na seleção. Foi a experiência pela qual eu aguardara por muito tempo. Quando comecei a ler as redações, a maioria tinha uma qualidade bem ruim, mas, dentre tantas tentativas mal sucedidas de elaborações de frases com significados consistentes, até com o tema sugerido, fui surpreendida por um texto muito bom, que destoava de tudo que tinha lido até então. Selecionei-o imediatamente e chamei o candidato para conversar. Lembro-me de um sujeito franzino, tímido, cuja aparente desenvoltura não sugeria nada do excelente potencial, depois revelado. Contratado por um ano, na qualidade de estagiário, não só ajudou na elaboração de rotinas de equipe de trabalho de um setor recém constituído, como elaborou um manual (muito elogiado por quem o usou) para ser utilizado na execução dos serviços, no setor que deixou um ano depois, quando seu contrato de trabalho terminou. Infelizmente, não sei como prosseguiu sua carreira profissional. Fiquei até achando que eu servia para o trabalho de seleção, considerando essa única oportunidade que tive. Creio que, diante do papel, na elaboração de uma redação, fica muito mais fácil mostrarmos quem somos. O fingimento não tem lugar! Infelizmente, dá trabalho para avaliar; por isso, a maioria das seleções, pensando principalmente em cargos públicos, começa (e até termina) pelos testes em que, não só conta o conhecimento, como a sorte e até a esperteza. Quantos potenciais perdidos e quantos espertalhões contratados!
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